Circulações literárias brasil-frança no século XX - Curso de extensão - Aula inaugural
As relações comerciais e culturais entre o Brasil e a França datam do século XVI e, como observa Michel Riaudel no prefácio do catálogo para o ano do Brasil na França em 2005, os livros já estavam então presentes, com os relatos de André de Thevet e Jean de Léry e as célebres reflexões de Michel de Montaigne sobre os canibais. Este ano, essas relações serão mais uma vez relembradas, em seus diversos aspectos, tanto no Brasil quanto na França, no âmbito do grande evento denominado “Saison France-Brésil”, idealizada para comemorar os 200 anos das relações diplomáticas entre os dois países. Este curso pretende integrar essa grande celebração focalizando alguns momentos importantes das circulações literárias entre o Brasil e a França no século XX. Os laços culturais e literários entre o Brasil e a França tiveram início no século XVI e, de modo mais ou menos intenso segundo as épocas e as circunstâncias históricas, persistem até os dias de hoje. Neste curso, faremos um passeio pelo século XX, examinando a constituição dessas relações a partir de casos particulares. Na década de 1920, entraremos em contato com Monteiro Lobato, Sérgio Milliet e Oswald de Andrade. No período do pós-guerra, com Simone de Beauvoir, J.-P. Sartre, Albert Camus, André Gide, Jorge Amado, Guimarães Rosa. E, a partir dos anos 1980, com Rubem Fonseca, Clarice Lispector, e com autores mais jovens como Djamila Ribeiro. Com isso, pretendemos divulgar, para um público mais amplo, um pouco da história dos laços literários que unem o Brasil e a França, ponto focal da pesquisa do Grupo de Pesquisas Brasil-França. O curso intenta apresentar alguns aspectos das relações literárias Brasil-França no século XX| a partir do exame de casos particulares. Iniciaremos na década de 1920, com Monteiro Lobato, Sérgio Milliet e Oswald de Andrade; continuaremos, no pós-guerra, encontraremos com Simone de Beauvoir, J.-P. Sartre, Albert Camus, André Gide, Jorge Amado e Guimarães Rosa, para, a partir dos anos 1980, entrarmos em contato com Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Djamila Ribeiro. Nosso objetivo é apresentar para o público em geral, alguns aspectos da complexidade das circulações literárias Brasil-França no século XX.
Autores : Marisa Midori Deaecto- Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo - USP
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Ensarnei-me a fundo na sarna gálica”: Monteiro Lobato e a Literatura Francesa
A crítica de Monteiro Lobato aos francesismos e às influências francesas é conhecida, e sua reputação como intelectual antigalicista mantém-se até hoje. Nesta aula, vamos explorar como sua relação com a França se reflete em três de suas obras: Ideias de Jeca Tatu (1919), Mundo da Lua (1923) e A Barca de Gleyre (1944). Esses textos revelam, ao contrário do que muitos pensam, um autor perspicaz, criativo e irônico, interessado pela produção artística e literária francesa de diferentes períodos históricos. Além de ser um grande leitor de romances, contos e poesias, a curiosidade literária de Monteiro Lobato estendia-se também ao teatro, às memórias, às crônicas e às correspondências.
Autor(es): Ana Luiza Reis Bedê
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