MESA 4 As linguas do campo
Autores : Alexander Yao Cobbinah , Marta DonazzanComunicações
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A Linguística a Serviço do Fortalecimento das Línguas Indígenas no Século XXI
Após a pandemia da Covid-19 os povos indígenas do Brasil consolidaram seu ativismo nas redes sociais. Na mesma época, surgiu a iniciativa da década das línguas indígenas da UNESCO, cujo lema é "Nada para nós sem nós". A área de línguas indígenas passou a ter que lidar com maneiras mais eficazes de trabalhar com as comunidades de falantes de línguas indígenas, no sentido de envolver os falantes em projetos linguísticos nos quais eles façam parte das decisões e da gestão. Neste espírito, foi criado o Projeto PROLIND do Centro de Inteligência Artificial da USP (C4AI), no qual a proposta foi desenvolver ferramentas computacionais e de IA de forma ética para as línguas indígenas. Várias iniciativas foram desenvolvidas, com graus variados de sucesso, as quais descreveremos nesta apresentação.
Autor(es): Luciana Raccanello Storto
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Trabalho com línguas à beira de extinção: para além do ‘salvamento’
Na linguística, há um consenso sobre a necessidade e a urgência de documentar e estudar línguas ameaçadas. Porém, na prática, as línguas mais vulneráveis são muitas vezes deixadas de lado. Trata-se, sobretudo, das línguas lembradas por pouquíssimos falantes idosos e/ou preservadas como línguas de herança entre os mais jovens. Elas podem não ser mais usadas no dia a dia ou não ser mais ligadas à vida ritual tradicional. Além disso, podem se manter apenas em contextos urbanizados e não em comunidades tradicionais. Então, cria-se a ideia de que essas línguas só podem ser objetos da “linguística de salvamento” (salvage linguistics), que é basicamente “fazer o que dá”, e “o que dá” necessariamente seria um estudo mais raso do que no caso de uma língua mais vital. Com base na minha experiência de campo e pesquisa com o Guató, uma língua falada por dois idosos em Mato Grosso do Sul, argumentarei que essa visão é errada e contraprodutiva, pois valoriza as línguas apenas enquanto reflexos mais ou menos fieis do passado e não como sistemas funcionais em constante transformação. Defenderei que as línguas à beira de extinção podem ser estudadas de vários pontos de vista e merecem ser objetos de trabalhos acadêmicos de mais alto nível.
Autor(es): Kristina Balykova
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Experiências de campo em Moçambique: desafios, adaptações e co-construção do saber linguístico
Nesta apresentação, proponho uma reflexão sobre a evolução da minha prática como linguista de campo na África Austral, com ênfase particular em Moçambique, desde os meus primeiros trabalhos em 2011 até hoje. O estudo de línguas pouco documentadas coloca inúmeros desafios, entre os quais se destacam a barreira linguística, a adaptação aos contextos socioculturais locais e a necessidade de desenvolver — por vezes de forma improvisada — instrumentos de coleta de dados adequados. A adaptação progressiva dos meus métodos e abordagens permitiu uma compreensão mais apurada das dinâmicas locais e uma melhor resposta às expectativas dos participantes. Essas diferentes experiências de campo alimentaram uma reflexão mais ampla sobre a minha prática científica e sobre o papel do linguista, numa perspetiva de co-construção do saber baseada no diálogo, na flexibilidade metodológica e no enraizamento contextual.
Autor(es): Rozenn Guérois
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O campo afro-brasileiro hoje : documentação e descrição linguísticas no Angola
O projeto de documentação da língua ngoya, uma variante do kimbundu falada na província de Kwanza Sul em Angola, centra-se em práticas agriculturais e visa criar um corpus anotado e uma descrição detalhada das estruturas linguísticas, com ênfase nas dinâmicas locais, identidades linguísticas e variação dialetal dentro do grupo kimbundu. Embora as línguas angolanas permaneçam insuficientemente documentadas no período pós-colonial, elas são fundamentais para compreender as dinâmicas linguísticas e culturais brasileiras, considerando que a costa Centro-Oeste africana foi uma das principais regiões de origem de pessoas escravizadas trazidas ao Brasil, o que confere a Angola uma posição de destaque na linguística africana brasileira devido aos profundos vínculos históricos, linguísticos e culturais entre estas regiões.
Autor(es): Alexander Yao Cobbinah , José Lucas Campos Antunes dos Santos
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