Ensino e aprendizagem do campo
Autores : Fernanda Padovesi Fonseca , François-Michel Le TourneauComunicações
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Fazer Arqueologia na Amazônia implica trabalhar com pessoas
No imaginário popular a arqueologia tem sido apresentada como uma disciplina de aventura que busca constantemente "descobertas" fenomenais. Entretanto, desde os anos 1970´s discussões amplas sobre "o que é fazer arqueologia" têm enfatizado a necessidade de fugirmos dos estereótipos, de trabalharmos o contexto com todos os seus vestígios, não importando a grandiosidade ou a exuberância dos vestígios, visto que o objetivo não são os objetos e sim entender as escolhas e as histórias do passado. Mais recentemente, a própria noção de passado vem sendo colocada em debate e as ferramentas investigativas da disciplina vêm sendo usadas em casos muitos diversos. A Arqueologia do Presente vem mostrando a necessidade de trabalharmos com as demandas atuais das diferentes sociedades. Na Amazônia, o debate sobre as abordagens de campo vão incluir essas discussões mais amplas da arqueologia, mas também proporcionam reflexões específicas, por exemplo, as populações indígenas e as comunidades tradicionais em geral estão diretamente relacionadas aos seus territórios, são elas que ensinam aos pesquisadores/as onde estão os sítios arqueológicos; onde estão as concentrações de plantas manejadas há milênios; quais são as histórias que se relacionam aos espaços estudados, histórias estas transmitidas pela oralidade há centenas de anos e muito mais. O preparo de projetos ou de disciplinas de campo passa pelo entendimento de que a arqueologia, os sítios arqueológicos ou os vestígios, não pertencem à academia, que as relações com os locais e vestígios são múltiplas e que precisam ser respeitadas e que, sem as comunidades indígenas e não indígenas, nosso trabalho será necessariamente limitado e superficial. Nesta apresentação desejo explorar essas ideias através de estudos de caso concretos, apresentando alguns dos caminhos trilhados nas últimas duas décadas e questões que permanecem em aberto.
Autor(es): Ann Rapp Py Daniel
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Vivência e técnica: cinco elementos de segurança para trabalhos de campo em area de risco
Différents types de travail sur le terrain peuvent être plus ou moins dangereux en fonction de l'expérience du chercheur et de son contact avec les codes locaux. L'habitant d'une zone en conflit depuis longtemps reconnaît les codes et la manière de naviguer dans ce contexte, alors que les outsiders ne le font pas. Les individus ont des manières différentes d'accéder aux mêmes espaces en fonction de leurs experiénces préalables et des situations d'altérité qui encadrent leur relation acec le contexte étudié. Cependant, l'ethnographie a développé des techniques suffisamment efficaces pour assurer la sécurité du chercheur sur le terrain. Cette exposition présente cinq des règles d'or du travail de terrain dans des situations potentiellement dangereuses.
Autor(es): Gabriel Feltran
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Aprendendo com 50 anos no campo.
Trabalho de campo se aprende fazendo trabalho de campo, pelo menos foi isso que me ensinaram há pouco mais de 50 anos. Mas com a chegada de novas técnicas (imagens de satélite, cartografia temática, modelização gráfica), eu, como muitos outros, aprendi a gerenciá-lo produzindo primeiro imagens que permitem identificar lugares interessantes. Ao fazer isso, aprende-se a contextualizá-los antes de ir (o que ainda é essencial) e, depois, a explicar por que foi até lá, o que fez e os resultados que obteve. E é esse vai-e-vem entre o campo e as imagens que estou tentando ensinar hoje.
Autor(es): Hervé Théry
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Reflexões sobre o trabalho de campo em geografia agrária hoje
O trabalho de campo tem sido um instrumento importante do fazer geografia desde os primórdios da institucionalização deste campo científico, mas tem sido realizado de diferentes modos ao longo do tempo e conforme a subárea de pesquisa. O trabalho de campo e as atividades de observação, registro e interlocução com os sujeitos atuantes em cada lugar supõem a imersão num contexto geográfico específico e a sua apreensão a partir de novas perspectivas. Ele é um exercício cuja importância se atualiza, em que pese habitarmos um mundo cada vez mais conectado e no qual as imagens se multiplicam e se apresentam como evidências acabadas dos fatos. O trabalho de campo em geografia agrária que temos realizado representa um momento intenso de aprendizado em que o sentido e os limites da pesquisa são constantemente questionados e testados por nossos interlocutores. Com frequência, a experiência do campo se transforma numa situação de troca de saberes em que os nossos interlocutores podem se apropriar de nossos conhecimentos técnicos e se tornar participantes e coprodutores da pesquisa, numa crescente imbricação entre pesquisa e a extensão. Esse fato apresenta extrema relevância em face das crescentes disputas territoriais em curso, agravadas por intervenções de agentes privados e públicos, realizadas em nome do desenvolvimento econômico e das urgências ambientais. Essa apresentação buscará refletir sobre os novos sentidos do trabalho de campo hoje, tendo como referência a experiência de pesquisa acumulada nos últimos sete anos a partir do estudo sobre a fronteira agrícola do Matopiba.
Autor(es): Marta Inez Medeiros Marques
Enviado pela conta: test1