Cidades, Estados e Impérios no IV e III milênio AEC na Mesopotâmia
A presente proposta insere-se no contexto de crescente interesse acadêmico pela área de pesquisa em Antiguidade Oriental no Brasil, com destaque para o aumento de pesquisadores e alunos trabalhando nesse domínio, a proliferação de laboratórios e a presença de profissionais brasileiros em centros de estudo de referência no exterior, sobretudo franceses.1 A cooperação entre Brasil e França em termos de pesquisa e formação nos estudos próximo-orientais tem sido contínua desde a década de 1990 e tem se aprofundado nos últimos anos. Em sintonia com duas tendências teóricas recentes – a saber: (i) a crescente consciência sobre a importância de uma história interconectada, globalizada e “glocalizada”, que considere as articulações entre o Mediterrâneo Antigo e o Oriente Próximo em termos culturais, materiais etc; e (ii) a relativização da centralidade atribuída aos Estudos Clássicos e Bíblicos no imaginário ocidental e o resgate de histórias orientais e africanas, que, por muito tempo, foram tratadas de forma subordinada em relação a um eixo central europeu e cristão – o Programa aqui proposto pretende suprir lacunas não apenas no âmbito dos especialistas, mas também junto a um público mais amplo. INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA : laopusp@gmail.com
Organizador(es): Anita Fattori , Enzo Snitovsky Onodera , Marcelo Rede , Matheus Treuk , Santiago Colombo Reghin
Patrocinadores:
- Consulado Geral da França em São Paulo
Sessões
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O período de Uruk: o caso das tigelas rústicas
As tigelas rústicas constituem um dos elementos mais característicos do período de Uruk (IV milênio AEC). Muito facilmente reconhecíveis, elas foram descobertas, às vezes em número muito grande, em uma vasta área geográfica, no Levante, na Anatólia e no Irã. Essa forma muito particular foi considerada como um dos marcadores do surgimento de um Estado centralizado e burocrático, associado a um sistema de rações. O problema da pesquisa em torno desse recipiente é, portanto, central: as tigelas rústicas seriam uma manifestação, na cultura material, do aparecimento do Estado?
Autor(es): Aline Tenu
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As tumbas reais de Ur
Descoberto em 1922 e escavado a partir de 1927 por Leonard Woolley e sua equipe, o cemitério de Ur revelou mais de 1800 sepulturas, das quais dezesseis se destacavam das demais pela riqueza do seu material, pela sua arquitetura e pela suposta presença de sacrifícios humanos. O objetivo da sessão é expor essas descobertas, recolocá-las no contexto da Mesopotâmia do final do período das dinastias sumérias arcaicas (cerca de 2500–2400 AEC) e apresentar suas principais interpretações.
Autor(es): Aline Tenu
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Akkad é o primeiro Império mesopotâmico?
Por volta de 2350 AEC, Sargão tomou o poder na cidade de Kish, fundou uma nova capital, Akkad, conquistou o sul mesopotâmico antes de lançar campanhas militares distantes. Seus descendentes e sucessores — e, em especial, o mais célebre deles, seu neto Naram-Sin — prosseguiram sua obra de conquistas, mas também de construção política, administrativa e ideológica de um Estado com pretensão universal. Na historiografia contemporânea, o império de Akkad foi frequentemente considerado o primeiro Império mesopotâmico, mas vários elementos, sobretudo arqueológicos, convidam a discutir essa afirmação.
Autor(es): Aline Tenu
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Kunara: um centro regional nos contrafortes do Zagros
O sítio de Kunara, no Curdistão iraquiano, vem sendo explorado desde 2012 pela Missão Arqueológica Francesa do Peramagron. Localizado em uma região praticamente inexplorada do ponto de vista arqueológico antes da década de 2010, ele revelou um centro monumental extenso onde coexistem vários edifícios públicos. A qualidade das construções, o cuidado dedicado ao urbanismo planejado, a presença de tabletes cuneiformes e de selagem mostram que Kunara era um centro importante no piemonte do Zagros. Muitas linhas de pesquisa se abrem para compreender, por exemplo, se Kunara era independente ou estava sob a autoridade de um soberano mais poderoso, ou ainda quais eram suas funções principais: políticas, econômicas ou cerimoniais.
Autor(es): Aline Tenu
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