Reflexões sobre o trabalho de campo em geografia agrária hoje
Autor(es) : Marta Inez Medeiros MarquesO trabalho de campo tem sido um instrumento importante do fazer geografia desde os primórdios da institucionalização deste campo científico, mas tem sido realizado de diferentes modos ao longo do tempo e conforme a subárea de pesquisa. O trabalho de campo e as atividades de observação, registro e interlocução com os sujeitos atuantes em cada lugar supõem a imersão num contexto geográfico específico e a sua apreensão a partir de novas perspectivas. Ele é um exercício cuja importância se atualiza, em que pese habitarmos um mundo cada vez mais conectado e no qual as imagens se multiplicam e se apresentam como evidências acabadas dos fatos. O trabalho de campo em geografia agrária que temos realizado representa um momento intenso de aprendizado em que o sentido e os limites da pesquisa são constantemente questionados e testados por nossos interlocutores. Com frequência, a experiência do campo se transforma numa situação de troca de saberes em que os nossos interlocutores podem se apropriar de nossos conhecimentos técnicos e se tornar participantes e coprodutores da pesquisa, numa crescente imbricação entre pesquisa e a extensão. Esse fato apresenta extrema relevância em face das crescentes disputas territoriais em curso, agravadas por intervenções de agentes privados e públicos, realizadas em nome do desenvolvimento econômico e das urgências ambientais. Essa apresentação buscará refletir sobre os novos sentidos do trabalho de campo hoje, tendo como referência a experiência de pesquisa acumulada nos últimos sete anos a partir do estudo sobre a fronteira agrícola do Matopiba.