Instabilidades do terreno: duas experiências de campo em Angola
Autor(es) : Luena Nascimento Nunes PereiraPretendo explorar o rendimento da crítica à alteridade como base do conhecimento antropológico levando em conta a recente pluralização dos corpos des antropólogues quanto a raça, etnia, sexualidade e nação e seus efeitos em uma renovação das práticas antropológicas. No caso brasileiro, o interesse sobre campos de pesquisas situados fora do Brasil também questiona a tradição naciocêntrica das ciências sociais brasileiras. Trago para esta discussão duas fases de minhas experiências de campo em Angola. A primeira, entre 1998 e 2006 quando minha identidade de brasileira e “negra” foi desafiada pelos códigos raciais locais que liam meu corpo de formas distintas. Já segunda, entre 2023 e 2025, entre ativistas LGBT, minha posição de “mais velha” e hetero-cis produziu deslocamentos e aproximações que redundaram em um tipo específico de interlocução. A intenção é refletir sobre como a instabilidade das posições assumidas, voluntariamente ou não, pela antropóloga em campo, na relação com seus interlocutores, traz questões que desafiam o trabalho de campo. O ponto aqui não é apenas explorar a noção de “lugar de fala” e da experiência do sujeito de pesquisa como incontornável na produção de saber de uma antropologia implicada. A intenção é também articular as possibilidades de conhecer e desconhecer a partir do corpo situado de formas variáveis no campo.