Dez anos de Biblioteca Durkheim: balanço de uma experiência editorial TEST
A Biblioteca Durkheimiana é uma iniciativa editorial coordenada por Rafael Faraco Benthien, historiador lotado na UFPR, e por Raquel Andrade Weiss, socióloga lotada na UFRGS. Voltada à publicação de edições bilíngues e críticas de textos ligados à “Escola Sociológica Francesa”, a coleção foi aprovada pelo Conselho Editorial da Editora da Universidade de São Paulo em 2012, sob presidência do Prof. Dr. Plínio Martins Filho, tendo lançado seus três primeiros volumes em 2016. Nestes dez anos de atividade, a Coleção já publicou dez volumes, estando em produção o décimo primeiro. O propósito desta mesa redonda é propor um balanço dessa primeira década de atividade, elencando as especificidades editoriais do projeto, as parcerias estabelecidas e os projetos futuros associados à proposta.
Autores : Maria Arminda do Nascimento Arruda , Rafael Faraco Benthien , Raquel Andrade WeissComunicações
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Da coleção ao coletivo: a Biblioteca Durkheimiana na constituição de uma comunidade de pesquisa
A Coleção Biblioteca Durkheimiana tem sido, ao longo de sua primeira década, a frente de trabalho mais duradoura e de maior alcance do Centro Brasileiro de Estudos Durkheimianos, fundado em 2012 por ocasião da Escola de Altos Estudos dedicada ao centenário de As Formas Elementares da Vida Religiosa, momento em que se lançou, entre nós, a semente da Coleção. Esta comunicação toma esse enlace como fio condutor, examinando as condições coletivas que tornaram possível uma experiência editorial dessa longevidade. O Centro nasceu de modo bastante orgânico, conferindo lastro institucional a relações de trabalho e de interação intelectual que já estavam em curso entre pesquisadores de diferentes gerações, regiões e áreas disciplinares, para quem a reunião em torno do nome do "chefe" da Escola Sociológica Francesa operou como uma espécie de totem, consolidando um laço a partir dessa referência compartilhada. A própria nomeação do grupo, que hoje talvez soe pretensiosa, homenageava o então muito ativo British Centre for Durkheimian Studies, sediado em Oxford, com o qual alguns de nós nutríamos uma interlocução acadêmica e afetiva. O amadurecimento dessa empreitada inicial nos conduziu a outros lugares: desde a inauguração do novo site, em 2021, grifamos o adjetivo brasileiro, afirmando o caráter situado de um trabalho que se relaciona com a herança da escola francesa de sociologia desde um lugar determinado, o que igualmente marca sua especificidade frente a outros contextos acadêmicos. Interessa mostrar, afinal, de que forma o espírito geral do Centro, hoje organizado em quatro linhas de investigação que se entrelaçam, reflete-se nas escolhas da Coleção. Plurais quanto aos textos editados e quanto às pessoas convidadas a compô-la, abertas a novas propostas e sustentadas por uma dinâmica ao mesmo tempo intelectualmente rigorosa e horizontal e, no movimento inverso, de que modo a Coleção se manteve como atividade propriamente de pesquisa, que movimenta o Centro e fornece o ponto de partida para a construção de nossas Jornadas, ou seja, como algo que transcende um empreendimento editorial em sentido estrito.
Autor(es): Raquel Andrade Weiss
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A Biblioteca Durkheimiana em perspectiva: partilhando memórias, desafios e expectativas em torno de um projeto coletivo.
A presente comunicação discute as circunstâncias da concepção e da aprovação do projeto original da Coleção Biblioteca Durkheimiana, bem como as experiências acumuladas ao longo dos dez anos de sua existência e as perspectivas que a ela se oferecem. Diante de uma longa e profícua tradição tradutória no âmbito das ciências sociais brasileiras, a referida coleção almeja ser inovadora. Em primeiro lugar, sensível a questões de ordem histórico-filológica, apresenta ao público leitor uma edição bilíngue e crítica de textos relacionados à dita “Escola Sociológica Francesa”, organizada em torno de Émile Durkheim. Trata-se, de início, partindo da confrontação entre a última versão publicada sob o controle do autor em vida com as anteriores, de problematizar as transformações que o texto sofre em sua fatura. O mesmo movimento analítico permite ao/à leitor(a) uma distância crítica, uma maior clareza diante das escolhas do(s) tradutor(es). Em segundo lugar, atento à necessidade de construir um “contexto analítico” para complexificar o ato mesmo da leitora, insere-se em cada volume uma série de anexos de época (cartas, resenhas, textos de diferentes naturezas). Este conjunto, pouco usual na tradição brasileira tradutória em Ciências Sociais, vem promovendo tanto o contato com materiais nunca dantes traduzido quanto a problematização de alguns artigos que já circulavam por aqui, mas em nova roupagem tradutória e com aparato mais robusto. A comunicação oferece ainda um panorama das experiências já publicadas, enfatizando as equipes intergeracionais e multidisciplinares mobilizadas em cada caso, o que torna a coleção um laboratório/ateliê de aprendizados coletivos, bem como a recepção que cada volume teve. Por fim, indica-se os projetos atualmente em curso, com seus desafios particulares e contribuições pretendidas. A própria coleção é assim historicizada, indicando como o projeto foi amadurecendo, ampliando a natureza e o escopo das colaborações.
Autor(es): Rafael Faraco Benthien
Enviado pela conta: fmlt