Conversão ecológica e modos de vida: soluções e impasses
Organizador(es): Heloisa Tozato , Serge Paugam
Patrocinadores:
- Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH - USP Leste), Universidade de São Paulo (USP)
- Laboratório internacional Mundos em transição IRL2034 CNRS/USP
- Departamento de sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)
Sessões
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A conversão ecológica dos modos de vida diante do desafio das desigualdades Norte/Sul
Palestra de Philippe Coulangeon / Arilson Favareto debatedor Os desafios relacionados à luta contra as mudanças climáticas e à adaptação aos seus efeitos envolvem simultaneamente a responsabilidade dos poderes públicos, das empresas e das famílias. Uma parte significativa das ações públicas e das estratégias de comunicação nessa área enfatiza as alavancas de ação baseadas na conscientização sobre os desafios climáticos e ambientais, considerada uma condição prévia para a transformação dos estilos de vida no sentido de uma maior descarbonização, sobriedade e menor dependência de energias fósseis. Essa perspectiva, no entanto, esbarra em três limites principais. O primeiro diz respeito ao fato de que a parcela das transformações necessárias que decorre diretamente dos comportamentos individuais permanece relativamente modesta. O alcance das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa depende, acima de tudo, de orientações políticas, econômicas e tecnológicas que escapam amplamente à ação direta dos indivíduos e das famílias, ou que lhes dizem respeito apenas indiretamente, por meio de suas escolhas eleitorais, quando essas orientações são objeto de deliberação democrática. A segunda limitação diz respeito à relação complexa entre consciência ambiental e ação ecológica. A primeira não cons titui uma condição sistematicamente suficiente, nem mesmo necessária para a segunda, da qual pode estar parcialmente dissociada. A terceira limitação reside no impacto muito desigual dos estilos de vida sobre o meio ambiente, dependendo das categorias de indivíduos e famílias. Essas disparidades refletem amplamente as desigualdades de renda e patrimônio, sendo que as famílias mais abastadas são geralmente aquelas cuja pegada de carbono é mais elevada. Exploramos essas questões com base nas quatro últimas edições do Observatório Internacional Clima e Opinião Pública (Obs’COP https://www.edf.fr/groupe-edf/observatoire-international-climat-et-opinions-publiques), realizadas entre 2022 e 2025 em cerca de trinta países distribuídos pelos cinco continentes. Essa pesquisa, que coleta tanto indicadores de atitudes e opiniões em relação às questões climáticas e às políticas ambientais quanto informações sobre estilos de vida &mdash ; notadamente hábitos de consumo, gastos com energia e práticas de mobilidade —, oferece uma oportunidade única de analisar as relações complexas entre atitudes e práticas ambientais. Ela também permite contextualizar o papel das desigualdades socioeconômicas no contexto mais amplo das desigualdades Norte-Sul, devido ao caráter comparativo e transnacional da pesquisa.
Autor(es): Arilson Favareto , Philippe Coulangeon
- Comment étudier la transition écologique sous l'angle des inégalités ? Perspectives internationales
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