Tradução em Mão Dupla: Literatura Brasileira e Literaturas de Expressão Francesa
A tradução, a publicação e a recepção de uma obra em terras estrangeiras envolvem elementos ligados tanto ao horizonte histórico, geográfico e literário que irá acolhê-la quanto à singularidade do texto em questão. Assim, a tradução de obras da literatura francesa, literatura que foi sob muitos aspectos decisiva para a formação da nossa, não é novidade entre nossas casas editoras. Já o interesse por escritores de expressão francesa de diferentes nacionalidades é fenômeno mais recente, refletindo uma quebra dos clichês que dividiam as literaturas em maiores e menores. No outro sentido, a tradução de escritores brasileiros na França, iniciada no século XIX e consolidada nos anos 1970/1980, também se diversificou. Hoje, pode-se ler, em língua francesa, autores clássicos como Machado de Assis, modernos como Jorge Amado, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, e contemporâneos como Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles, Milton Hatoum, Conceição Evaristo, entre muitos outros. Público e gratuito, este curso pretende focalizar, a partir de casos particulares, o processo de tradução de obras brasileiras para a língua francesa e de obras de língua francesa para o português. Serão apresentadas as problemáticas ligadas à tradução tanto de obras de escritores brasileiros na França quanto de obras de escritores de expressão francesa no Brasil. Na direção Brasil-França serão abordadas as versões de Guimarães Rosa, Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles para a língua francesa e, na direção oposta, a tradução de Marceline Desbordes-Valmore, Voltaire, Atiq Rahimi, Patrick Chamoiseau e Yambo Ouologuem. Através da atividade, o Grupo de Pesquisa Brasil-França (Grupebraf) também tem a intenção de divulgar, para um público mais amplo, os laços que unem a literatura brasileira às literaturas de expressão francesa e os desafios envolvidos na tradução da poética singular de um escritor para uma língua estrangeira. O curso será ministrado de forma online via plataforma remota Zoom. Os links de acesso e outras informações pertinentes serão enviados por e-mail aos matriculados.
Organizador(es): Ana Luiza Reis Bedê , Márcia Valéria Martinez de Aguiar , Valter Cesar Pinheiro
Patrocinadores:
- Escola de Comunicação e Artes (ECA), Universidade de São Paulo (USP)
- Grupo de Pesquisa Brasil-França (Grupebraf)
- Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo - USP
Sessões
-
O burrinho pedrês e Grande sertão: veredas: o desafio de traduzir a poética roseana em língua francesa
Desde a publicação de Sagarana, em 1946, os críticos brasileiros apontam a novidade de uma escrita que constrói um mundo em que realidade e ficção, físico e metafísico constituem um único corpo. Dez anos depois, com a publicação de Grande sertão: veredas e Corpo de baile, essa poética encantou tradutores e editores estrangeiros que aceitaram o desafio de vertê-la para as suas línguas. Nesta aula, serão comentadas, a partir da correspondência de Guimarães Rosa com os seus tradutores, algumas passagens das traduções de O burrinho pedrês e de Grande sertão: veredas para a língua francesa.
Autor(es): Márcia Aguiar
-
Obras literárias brasileiras em francês: Rubem Fonseca e seu tradutor Philippe Billé
Quando disponíveis, cartas trocadas entre escritores e seus respectivos tradutores são material preponderante para que os estudiosos da tradução compreendam os processos envolvidos no ato tradutório de uma obra. O texto epistolar revela entraves, fronteiras sociolinguísticas e culturais, dilemas de escolhas, mas também soluções a esses impasses. Rubem Fonseca manteve profícua correspondência com seu mais regular tradutor para o francês, Philippe Billé. O foco da aula será a apresentação e análise de parte dessa correspondência.
Autor(es): Maria Cláudia Rodrigues Alves
Enviado pela conta: fmlt