Da coleção ao coletivo: a Biblioteca Durkheimiana na constituição de uma comunidade de pesquisa
Autor(es) : Raquel Andrade WeissA Coleção Biblioteca Durkheimiana tem sido, ao longo de sua primeira década, a frente de trabalho mais duradoura e de maior alcance do Centro Brasileiro de Estudos Durkheimianos, fundado em 2012 por ocasião da Escola de Altos Estudos dedicada ao centenário de As Formas Elementares da Vida Religiosa, momento em que se lançou, entre nós, a semente da Coleção. Esta comunicação toma esse enlace como fio condutor, examinando as condições coletivas que tornaram possível uma experiência editorial dessa longevidade. O Centro nasceu de modo bastante orgânico, conferindo lastro institucional a relações de trabalho e de interação intelectual que já estavam em curso entre pesquisadores de diferentes gerações, regiões e áreas disciplinares, para quem a reunião em torno do nome do "chefe" da Escola Sociológica Francesa operou como uma espécie de totem, consolidando um laço a partir dessa referência compartilhada. A própria nomeação do grupo, que hoje talvez soe pretensiosa, homenageava o então muito ativo British Centre for Durkheimian Studies, sediado em Oxford, com o qual alguns de nós nutríamos uma interlocução acadêmica e afetiva. O amadurecimento dessa empreitada inicial nos conduziu a outros lugares: desde a inauguração do novo site, em 2021, grifamos o adjetivo brasileiro, afirmando o caráter situado de um trabalho que se relaciona com a herança da escola francesa de sociologia desde um lugar determinado, o que igualmente marca sua especificidade frente a outros contextos acadêmicos. Interessa mostrar, afinal, de que forma o espírito geral do Centro, hoje organizado em quatro linhas de investigação que se entrelaçam, reflete-se nas escolhas da Coleção. Plurais quanto aos textos editados e quanto às pessoas convidadas a compô-la, abertas a novas propostas e sustentadas por uma dinâmica ao mesmo tempo intelectualmente rigorosa e horizontal e, no movimento inverso, de que modo a Coleção se manteve como atividade propriamente de pesquisa, que movimenta o Centro e fornece o ponto de partida para a construção de nossas Jornadas, ou seja, como algo que transcende um empreendimento editorial em sentido estrito.