Semanas Franco-Uspianas 2026

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L’expérimentation : enjeux éthiques et réflexions sur le sens contemporain de l'idée d'une "médecine expérimentale"

14:00 - 15:00 Autor(es) : Marie Gaille

Nesta apresentação, minha abordagem se insere parcialmente no interesse renovado dos filósofos pela experimentação, tema abordado por Ian Hacking em 2005. Apenas parcialmente, pois meu foco recai sobre um domínio específico — a medicina e as ciências biomédicas —, e não sobre a experimentação em geral, mesmo que a partir de um exemplo privilegiado, como é o caso da física para Hacking. Além disso, meu principal interesse volta-se para os desafios éticos da experimentação, e não para sua dimensão epistemológica, seja como elemento-chave de um estilo de raciocínio ou de uma forma de racionalidade científica, seja como um aspecto material e histórico da prática científica. Embora os dois aspectos não sejam completamente dissociáveis, minha porta de entrada é a reflexão ética. Aqui, limitarei minha análise aos ensaios clínicos em seres humanos (corpo inteiro), cujo objetivo é avaliar a eficácia e a periculosidade de um produto ou dispositivo para a saúde da pessoa, envolvento um certo risco para ela. Essa escolha se justifica tanto pela magnitude das questões éticas que discutiremos quanto pelo fato de que, vinculada a uma ambição terapêutica, a experimentação em seres humanos constitui, de certa forma, "o teste final" para atestar a ausência de nocividade de um medicamento, terapia ou dispositivo médico, bem como sua eficácia. Para fins de cuidado, ela segue sendo uma etapa indispensável até os dias de hoje. Desenvolverei uma perspectiva ética de inspiração pragmatista, atenta às histórias plurais da experimentação, às dinâmicas de regulação jurídica em diversos países e em escala internacional, a fim de identificar as "linhas de falha" da ética da experimentação. Nesse contexto, em articulação com a historicização e a pluralização da ética da experimentação, insere-se meu trabalho de reflexão filosófica sobre os desafios da experimentação. Tal trabalho se enquadra naquilo que Charles Larmore chama de "lei da conservação da dificuldade em filosofia". Com isso, espero evidenciar o alcance e os limites, no plano normativo, da busca por um "núcleo ético consensual" sobre o tema.